sábado, 5 de outubro de 2024

outra maneira de escrever...

...os trovões ouviam se ao longe. O meu coração batia mais rápido. Estava a ficar ansiosa. Todos os que amava estavam fora de casa. O pensamento começou a fazer o favor de mostrar o pior cenário.
Comecei a imaginar que um estava preso numa derrocada, outro estava no meio de um acidente horrível, só coisas parvas.
Bebi água e comecei a rezar. Era o que fazia qd estava nervosa. Distraía me...e respirava fundo e pausadamente pelo nariz...e assim conseguia ir acalmando.
Passaram umas horas e todos estavam a chegar. Tudo estava bem.
Jantámos e a noite foi tranquila.
Na manhã seguinte, tudo se processou de maneira normal. Normal??
Bem, acordei e fiz o mesmo de todos os dias. Acordei o mais novo. Fiz o pequeno almoço para todos...e Eu fui fazer a minha higiene. Pois é...
Quando estava a lavar os dentes senti uma dor de cabeça forte. Olhei o espelho e caí.
Quem me encontrou não sei.
Acordei no hospital. Pensei: que casa de banho estranha a minha...
Pois não era a minha casa de banho...
O que é que aconteceu? O que fazia ali? Não me lembro de nada...
....eram quase 7h da tarde quando dois médicos apareceram. Muitos sorrisos, cumprimentos, preocupação em saber como estava bla, bla...
Fiz uma pergunta. Só para acabar com todo aquele melaço.
- 0 que faço aqui?
Olharam um para o outro e respondeu o mais velho.
- Bem, a senhora veio hoje , vieram hoje consigo desmaiada. Porque a encontraram assim na casa de banho. Ah...ficou aqui para observação. Acordou sozinha o que é bom sinal. Mas, não sabemos o que se passou. Pode contar o que aconteceu? Se sentiu alguma coisa.. não sei...conte nos.
- Bem, eu não me lembro de nada..quer dizer fiz tudo normal.. Senti apenas uma dor de cabeça forte... não me lembro de nada mais...
- Dor de cabeça? Ok ..vamos ver disso já,.
Bem.... lógico que exames consecutivos á cabeça foram logo feitos.
A minha família ligou às quase 9h da noite, mas não atendi pois estava em exames. 
No outro dia, foram dadas informações pela enfermeira pois eu dormia e não ouvi as chamadas feitas...

Passaram 6 meses....
Vivo no hospital, sem ver a família, sem ouvir os trovões e ficar ansiosa mais...nem imaginar desastres...


Moral: não vale a pena dar importância ao que não tem. Não vale a pena criar monstros inexistentes. Se não estás bem...faz com que fiques. Podes ser obrigada a estar noutro sítio de outra maneira...podes ser....

quarta-feira, 16 de março de 2022

outra maneira de escrever

-Bom dia....bom dia...- disse qd cheguei ao trabalho.
- Estão todos bem?
- Estamos!- responderam em coro.
Olhei em redor...não me pareciam bem. Estavam presentes mas não estavam ali. 
Passei o dia desconfiada e atenta 
Na hora de saída confirmou se. Todos saíram e ninguém se despediu..
O que é que se passava?


Moral: como humanos temos sentimentos que o próprio sentimento desconhece ..

segunda-feira, 14 de março de 2022

recomeçar...

Olá a todos... todos os que gostam de ler, escrever...
É tempo de voltar á escrita...

quinta-feira, 8 de abril de 2021

mulher

 Seres Liberdade


Olhar penetrante e atento,

sorriso aberto , contagiante.

Inveja num sofrer lento,

da tua Liberdade! avante!


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Meu Alentejo!

Neste meu lento Alentejo!
Fui nascida e criada,
Pois é nele que me vejo,
Feliz e apaixonada!

Ainda lembro outros tempos
eu que à sombra do chaparro,
acolhia meus pensamentos,
e arrefecia meu tarro.

Foi debaixo de uma azinheira,
que me roubaram um beijo,
assim não fiquei solteira,
Meu querido Alentejo!

Terras secas e grandes searas,
Com um sol abrasador,
Fiz das espigas lindas tiaras,
Para seduzir o meu amor.
De manhã pela fresquinha,
Vamos à apanha do grão,
Era eu bem novinha,
Não esqueço esse verão!
Que saudades desse tempo,
Coisas que ficam na memória,
Alentejo, és meu alento
Minha vida, minha história!


vivendo arte

Como tocam, cantam, dançam e encantam o lugar.
Vibram com emoção! É pura explosão.
Fazem os seres espetatantes alimentarem-se só de olhar.
Giram com o mundo e para o mundo com paixão.

Mãos que não se tocam, mas imploram carinho.
Olhos que não vêm; mas leem a expressão de cada olhar.
Zumbido nos ouvidos. Qual silêncio profundo, mansinho…
Bocas entreabertas sussurrando pelo doce amar!

Surgem obras, registos, documentos.
Livros, canções, estátuas sem parar...
 Uma fonte inesgotável de momentos,
que na arte da vida fazem por se expressar!


Outra maneira de escrever...

…Havia já alguns dias em que ela tentava falar com ele. Ele nem sempre respondia. Mais outros tantos dias ele metia conversa com ela. Ela desconversava sempre.
Mas um dia…aquele dia….Aquele em que acontecem coisas…sem explicação…nesse mesmo, aconteceu que ambos morrerem um pouco... a vida apenas começou depois desse dia…
Ela ligou. Ele não atendeu. Ela insistiu. Ele respondeu.
Em voz carente ela disse:- Vem almoçar comigo. Hoje, vamos comprar duas sandes diferentes e partilha-las. Vamos comprar dois sumos iguais e trocá-los. – Sorriu- vem apenas almoçar comigo hoje no jardim…
Ele apenas respondeu: Sim! No jardim às 13h.
Com a pressa natural, com o stress do costume, ambos saíram do emprego ao meio dia. Ambos se apressaram para o jardim. Ela atravessa a passadeira da esquerda para a direita….ele faz o inverso. Em diferentes estradas….com diferentes empregos….mas com desejos iguais!
Ambos foram atropelados…por diferentes carros….na mesma hora….quase no mesmo minuto, nesta mesma vida!
O Hospital que os acolheu foi o mesmo…diferente foi o quarto…diferente medicação, com um fim igual. Uma cadeira de rodas como presente…
Passaram uns meses e após atualização de redes sociais, ele liga-lhe a ela. Ela atende rapidamente. Depressa se encontram no corredor…choram…dão as mãos…e combinam algo….
E num outro daqueles dias em que acontecem coisas…encontraram se no jardim, ao meio dia…e partilharam….a medicação!
Desde esse dia…a partilha foi constante….e eterna!

Vive-se morrendo aos poucos e quando aos poucos se morre aprende-se a viver!

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Outra maneira de escrever...

"...quando saiu de casa aquela morena não sabia que havia um olhar, que escondido dentro de um desejo de posse a queria mais que tudo. Teria de ser hoje...onde? não se sabia..mas seria naquele dia!
Como pressentimento, a morena não fez o mesmo percurso que fazia. Visitou pessoas que antes não visitara. Deixou-se acompanhar por pessoas que nunca antes a acompanharam. Cumprimentou quem antes não cumprimentara. Em todas as suas acções o olhar a perseguia atentamente..e cada vez mais a desejava. Pelo seu sorriso...pelo seu mover de ancas...pela sua mexida no cabelo...pelo seu contacto pessoal e único com as pessoas. Sem a ter perto o olhar sentia como que cada abraço que dava era nele...cada sorriso era para si...cada toque o estremecia...
Pensou então para si: "...assim que estiver sozinha, irei agarra-la!...será minha...nem que seja ao olhar-me!!"
Uns metros mais adiante, a morena ficou sozinha, ajeitou o cabelo, puxou a mala ao ombro e de repente sentiu um puxão no braço. Olhou repentinamente e viu um carro acelerado que ia atropela-la não fosse o puxão. Olhou para ver quem a puxara...não viu ninguém! Impossível! Sentiu um puxão.
Confusa caminhou mais atenta e devagar pela rua. Virou a esquina e o Largo do jardim era seu...apenas seu. Não se encontrava ninguém. Pensando em como era estranho, caminhou devagar olhando o céu...as árvores...o sol...
Chegou perto de um banco e sentou-se. olhando em frente viu uma silhueta. Não distinguia ser homem ou mulher. Pensou em cumprimentar, dizendo olá...um olá...começo de uma amizade e muito mais!
Levantou-se e dirigiu-se para a silhueta. Os raios de sol encandeavam e tinha dificuldade em ver realmente de que se tratava. Quanto mais se aproximava menos via...até que...conseguiu ver.
Um homem cego com uma bengala!
Arrepiou se! Mas, não querendo passar nenhuma impressão disse o olá! O homem que caminhava muito lentamente parou...e a morena passou-lhe ao lado. O homem cego virou-se e caminhou atrás dela que seguia pelo caminho que tinha vindo. Ambos caminhavam devagar. A morena sentiu o homem cego atrás de si e olhando para trás, para olhá-lo mais uma vez sentiu um puxão no braço e ao mesmo tempo o passar de uma bicicleta. O mesmo puxão...o mesmo olhar...a mesma protecção!
-Obrigado!
-Olá!
Apenas um olhar...e apenas o sorrir....
Rosália Dias
"outra maneira de escrever"

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Uma promessa

Eu prometi-te um beijo!
eu prometi-te um sorriso!
dei-te um abraço com desejo,
e um olhar comprometido!

Ao abraçar-te prometi voltar,
e quando voltei, pensei fugir.
Prometi...voltei para te beijar,
e quando te beijei comecei a sorrir!

Dentro de um abraço teu,
prometi voltar e voltei.
dei-te um beijo que era meu,
sorri, mas depois chorei!

Entre o que é meu e teu,
fica o abraço e o beijo.
Fica o que não se prometeu...
O sorriso cada vez que te vejo!!

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Outra maneira de escrever...

Tanta vez acordei sobressaltada, tanta vez acordei ofegante, tanta vez acordei serena mas o pensamento era sempre o mesmo. A carinha redonda, pequenina, macia, branquinha e tão parecida com a minha que parecia que “fossava” no meu peito… sonhos ou pesadelos, sabe lá!Era impossível ter um filho, pois não tinha a parte masculina que é essencial para se dar a reprodução. Ou seja, de maneira mais “minha”, não tinha um marido, um namorado, um amante… O relógio biológico estava provavelmente avariado, pois o desejo de tal era enorme…e já fazia três meses que me sentia mal…e perdera peso e não dormia. Resolvi consultar o médico de família. Depois de alguns risos, os quais não gostei, a opinião do médico foi descartar-me, simplesmente.-Vais fazer umas análises!Fiz as análises e duas semanas depois fui chamada para uma visita inesperada ao médico de família. Confesso que ia ansiosa, não estava á espera de ser chamada. Mas, pensei que o médico tinha visto as análises e queria dizer-me o resultado e fui nessa ansiedade saber. Quando entrei na sala o médico estava com os papéis na mão e com um semblante estranho. Olhou-me, mandou-me sentar e nem me apertou a mão como é hábito.-Que se passa doutor? Estou assustada já!-Muito bem Eva, vamos lá falar a sério. Peço desculpa por não estar a tratar … com mais atenção… a tua… bem a verdade é que quando vieste fazer consulta há duas semanas atrás, eu não dei muita importância. Mandei-te fazer análises e ainda bem. Eva, vou ser direto, vou ser frontal e vou estar a 100% aqui para ti.-Importa-se de me explicar o que se passa? Qual o resultado das análises?-Estás grávida e estás hemofílica.Gelei, suei, corei e deu um sorriso. -Estou grávida? Estou Hemofílica?-Eu explico. Tens oito semanas de gravidez, mas tens uma deficiência, digamos no que respeita á coagulação do sangue. Tens tido hemorragias? Ou algo parecido?-Eu não posso estar grávida! Não tive faltas na menstruação, como é possível? E hemofilia?-Sim. Provavelmente não foi menstruação, mas hemorragias. Hemofilia é uma doença hereditária, transmitida da mãe para o filho, Basicamente é um defeito na coagulação do sangue. Qualquer ferida, mesmo a mais pequena, pode provocar-lhes uma grave hemorragia. Actualmente, Eva a maioria dos casos de hemofilia podem ser controlados de maneira eficaz, graças à transfusão de factores de coagulação extraídos do próprio sangue humano, mas estás grávida e temos que pensar muito bem o que fazer.A conversa foi longa mas esclarecedora. Juntei lembranças, memória e havia a possibilidade de gravidez…mas a doença. Não contava com isso! Estava sozinha….e com muito medo! Os meus dias a partir daquele foram totalmente diferentes. Comecei a viver. O mais pequeno pormenor me dava gozo. A mais pequena ação me deliciava. Sentia tudo a mil…o tempo passava e a palidez…o cansaço…as vontades…os desejos…o medo…a minha vida. Tudo era cada vez mais incerto. Teria o meu filho? Ficaríamos os dois doentes? Ficaria eu doente e como trataria do meu filho? Comecei a entrar em estado de ansiedade, nervos, descontrole….Aos 7 meses de gravidez estava internada. Numa manhã quente de Junho recebi uma visita que não esperava. Henrique Mendonça, o possível e único pai do meu filho, Pedro. Aceitei que me visitasse, aceitei que assumisse o filho, aceitei que mostrasse o que sentia. O pessoal médico não podia tirar-me o bebé, pois não estava totalmente formado e eu não podia receber o tratamento certo, as transfusões, porque estava grávida. Teria que esperar o tempo certo. Ficaríamos em observação.Passámos então 2 meses em contato diário. Eva, Henrique e Pedro. Dois meses. Em meados Agosto todos os sorrisos, todos os toques, todos os comentários, todos os olhares, até os planos breves que tínhamos feito foram finalizados. Eram dez e meia da manhã do dia 12 de Agosto quando Henrique recebeu o telefonema para se apresentar no Hospital.-Faça a última despedida, por favor!Qual despedida? Não tivera tempo…Meu Deus! Que vida entrelaçada noutra vida, agora perdida e tão pouco vivida. Henrique apenas caiu de joelhos no chão e chorou copiosamente….

Rosália Dias“Outra maneira de escrever”

Outra maneira de escrever...

Gostei muito da forma como me cumprimentaste. Estavas bem disposta, parecias feliz. A felicidade é isso mesmo, cada dia a cada minuto, a cada segundo conseguires sorrir...e eu gostei!
Durante algumas semanas a tua atitude manteve-se...
Houve um dia em que não disseste nada. Olhaste me e não disseste nada! Eu sorri como era habitual e disse o bom dia normal. Tu não reagiste...
Quatro anos passaram e o teu sorriso nunca mais apareceu...
O contacto que tínhamos era o bem disposto bom dia...agora não tínhamos nada...
Mas porque não podia acontecer o bem disposto bom dia?
O que tinhas tu? O que te fiz eu?
Na manhã mais cinzenta da semana lá ia eu esperar a tua passagem tristonha, tal como o dia, cinzenta...escura. E que triste eu ficava. Mas, não!
-Bom dia Gustavo! Como estás?
Não respondi...não fui capaz. O som doce da tua voz, o teu sorriso resplandecente, a tua boa disposição deixaram me sem palavras.
-Bom trabalho!
Acenei a cabeça somente. Muita confusão...muita alegria...muita agitação mental...
E agora? Que devo fazer? Voltamos ao normal?
Por vezes na vida acontecem nos percalços que nos obrigam a ser… a agir diferente. Mas, até que ponto as pessoas de que gostamos têm culpa?
Eu iria esperar o quê dela? 
Esperei até à manhã seguinte...
-Bom dia! Queres beber um cafezinho?
As palavras saíram-me...
-Bom dia, claro!
O café foi o mais saboroso que tomei. Estavas linda com uma blusa creme...a conversa foi franca, directa e esclareceu-me. Estiveste doente e o tratamento durou 4 anos...o cancro que te diagnosticado foi removido com êxito. Estavas agora a voltar a ser tu. Eu estava contente por estares bem, mas não entendi porque razão não continuamos a falar. A culpa era minha? 
E se o cancro voltasse? Ficaria novamente sem me falar? Que culpa tenho eu?
Não foi praga, não foi o destino, não foi má sorte....O cancro voltou!
Todos os dias ia contigo fazer a quimioterapia. Todos os dias sorrias...todos os dias falavas comigo, todos os dias te beijei, todos dias te abracei, todos os dias chorei... longe de ti! Longe de ti fiquei...mas cada dia em que te lembrava... SORRIA! E CHORAVA! E SORRIA...
"Outra maneira de escrever"

Outra maneira de escrever...





O pano foi corrido e todos olhavam para o palco, embora eu nada vi...a luz intensa do holofote estava direccionada para mim...eu tinha que falar! Treinara 2 meses e agora nada me saía....
Que o ar me volte aos pulmões…pensava eu aflita!
Fechei os olhos e quando os abri, a luz do holofote fraquejou e focou apenas um lugar na plateia. Alguém me sorria..
Reconheci o sorriso...o olhar e a posição das mãos sobre o colo…
Aos poucos comecei a "aquecer" e tudo o que ensaiara começava a voltar me à memória.
O poema que recitei:
Oh! Que dor sinto em meu peito…
Oh! Que agonia por não saber nada de ti…
Violentamente estou sem jeito…
Oh! Perdida...para onde fugi?
Os primeiros aplausos surgiram e um sentimento agradável fez com que o resto da actuação fosse normal...
O pano foi corrido novamente e em frente ao espelho do camarim esperava que viesses dar-me os parabéns!
Despi-me, vesti-me, limpei as pinturas e recebi um ramo de flores da Professora...nada teu.
Passaram 6 meses e nada mais soube de ti...
Novo elenco…novo palco... o pano foi corrido.
Olhei... olhava... e não te vi...
consegui ser "quase perfeita", eram os elogios que recebia. Mas, não estava satisfeita. Não tinha sentido arrepios... esquecimento... nada!
Fui para o camarim e um ramo de rosas esperava por mim, sorridentes...e um bilhete dizia:
"ADOREI TE! ESTOU À TUA ESPERA NO NOSSO LOCAL"
Tremi… transpirei... arfei… suspirei...
O pano do meu teatro de vida fora corrido de felicidade...
"outra maneira de escrever"

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Poesia Popular

                                                       Vou andar na labuta

Vou andar na labuta,
Vou trabalhar mesmo á bruta.
Se quiseres comigo falar,
Sabes onde me encontrar.
A minha vida tão afortunada,
Tanto amor e alegria junta,
Só penso casar com minha amada
Vou andar na labuta.
Pois gosto tanto, tanto dela,
Que a vida me parece curta.
Vou ter aquela mulher tão bela
Vou trabalhar mesmo á bruta.
Quando a vejo quase desmaio,
Sinto o coração acelerar.
De ao pé de ti não saio,
Se quiseres comigo falar.                                                                           Derreto-me com teu perfume,
Pasmo com teu calmo andar.
Vem apaga-me este lume.
                                                                                                                     Sabes onde me encontrar.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

" Outra maneira de escrever..."

“…-Vá lá! Vamos sair um bocadinho! – pedia Joana.
- Tá calor! Como é que te apetece mexer as pernas e andar? Eu não consigo, Joana!
- São 7 h da tarde, já não tá assim tanto calor.- insistia Joana
- Ok. Ok. Vou lavar a cara e já vamos! – decidiu Pedro.
Os dois passearam pelo Jardim, compraram um gelado e sentaram-se num banco a comê-lo. Olhavam em frente admirando o lago e nada diziam. Acabaram o gelado e olharam-se beijando-se demoradamente muito aconchegados. Quase sem folego Joana parou e disse:
- Por vezes o silêncio diz-nos tanto, né?
- Ya…- respondia Pedro contemplando o lago.
- Pedro? Sentimos o mesmo, certo?
- Como assim? Gosto de ti, tu gostas de mim. Partilhamos uma casa, contas, novidades…Joana somos um casal á cinco meses. Explica lá o que queres dizer com “ sentimos o mesmo”?
- Isso mesmo! Essa rotina que todos os casais têm. Não será só isso? Quero mais!  E…não gosto só de ti. Pedro, eu amo-te!
- Se não houvesse amor não estávamos aqui juntos! E é obvio que também te amo muito. Quero continuar esta “rotina” como lhe chamas para o resto da minha vida.
Num abraço um beijo selou aquele amor.
Passaram 3 meses e Joana adoeceu. Era o 4º dia que ficava em casa com febre e dores de cabeça, sem conseguir manter-se em pé. Pedro preocupado pediu a uma amiga enfermeira que fosse lá a casa para tirar sangue a joana para analisar. Pedro trabalhava no Hospital e era-lhe fácil pedir á Dr.ª Margarida que lhe analisasse o sangue de Joana. E visto ela não querer ir ao médico não lhe restavam muitas soluções para descobrir o que se passava com ela.
- Pedro? Quem é esta mulher? – revoltada Joana chegava a ser agressiva.
- Joana é uma enfermeira amiga. Tira-te sangue e fazemos a análise. Não tens que ir ao Hospital.
- Não quero! Nem penses Pedro. Podes mandar a moça embora antes que me irrite!
- Mas…Joana! – Pedro desistiu explicando á amiga que não ia insistir.
Passaram-se 10 dias e Joana parecia melhorar. Comia, embora pouco e saía um pouco de casa levando o lixo ao Ecoponto. Na semana seguinte, Joana de livre vontade foi ao hospital e fez análises. Uma semana depois foi buscar o envelope e marcou consulta para o dia seguinte com a médica disponível em Clínica Geral. A mesma médica que trabalhava com Pedro, Dr.ª Margarida.
- Tem marido, D. Joana? – perguntou a médica. – Preciso mesmo de saber se tem um ou mais parceiro sexual…
- Como?? – Joana estava confusa.
- Fez alguma transfusão de sangue? – continuava a médica a questionar
- Mas o que é isto? Tenho um parceiro, que por acaso trabalha aqui. E fiz uma transfusão há algum tempo. Parece-me que foi há 2 anos.
- Ok. Então é assim D. Joana a senhora tem sida. Mas como sabe existem métodos que levam á cura. Vamos intervir já. D. Joana…
- O quê? Assim sem mais nem menos? Diz-me isso assim? Como vai ser a minha vida? Tenho 26 anos e casei há meses…e…- Joana começou a perder a força e chorava compulsivamente.
A médica abraçou Joana e chamou a enfermeira que lhe trouxe um calmante. Ligaram para Pedro que a levou para casa e durante 2 dias apenas abraços e beijinhos moviam aquele casal.
Duas semanas passaram e o Hospital começou a ser uma 2ª casa para Joana. Entre consultas, análises e exames a preparação para a quimioterapia começava a preparar-se. Numa manhã soalheira Joana estava pronta para a 1ª sessão de quimioterapia, mas antes de sair o telemóvel toca.
- Sim? Bom dia!
- Bom dia! Estou a falar com a Joana Martins? Daqui é do Hospital.
- Sim? Do hospital? Diga, estava a caminho para lá.
- É para lhe informar que o seu marido, Pedro Martins sofreu um acidente grave.
- Acidente grave? Eu estou a caminho do hospital. Obrigado. – Joana não quis saber mais nada e saiu a correr.
Pedro começava a trabalhar às 7.30h da manhã. Pedro era auxiliar de ação médica no hospital há 6 anos. Pedro era um jovem responsável e muito divertido. Agora, estava nos cuidados intensivos por ter sido brutalmente atropelado por um camião que se despistara e entrara no Parque Hospitalar quando Pedro ia a atravessar o mesmo para começar a trabalhar.  Pedro foi atingido nos pulmões e não resistiu…
Joana corria como louca em direção ao Hospital e ao entrar nas urgências o médico que assistira Pedro já a esperava. Joana olhou-o e percebeu….caiu de joelhos e gritou chorando:
- NÂO! Não pode ser! EU É QUE ESTOU DOENTE…. Caramba! NÂO!
A vida tem destas coisas… por se estar doente não quer dizer que se vá morrer logo. Joana continua a fazer quimioterapia e Pedro já faleceu há 8 anos. A vida de Joana? Pois, ela bem receava pela sua vida…não foi pela doença que tinha mas sua vida virou-se do avesso por ter perdido outra vida  que fazia parte da sua….
“outra maneira de escrever…”

Rosália Dias

terça-feira, 23 de junho de 2015

Outra maneira de escrever...

“…mais uma vez tinha decepcionado, sem consciência de o ter feito. Mais uma vez, a desilusão na cara das pessoas com quem vivia. Não havia nada ali…quem eram? Quem eram aquelas pessoas que todos os dias via, pouco falava mas eram as que mais gostava? Não havia já nada ali…
Eram cinco da manhã e todos ainda dormiam. Pôs a mochila às costas e saiu sem fazer barulho. Começou por andar a passo pequeno, mas mal deu por si corria…corria com toda a força que tinha, até o ar não resistir…corria…corria…
Em pouco tempo estava na cidade grande. Sentou-se num degrau de uma casa para pensar…para onde ia? Fazer o quê? Afinal, não tinha dinheiro…amigos…emprego…carro…apenas a mochila com meia dúzia de roupitas. Qual o objetivo? Bem, primeiro beber água da fonte que tinha quase á sua frente. Depois, arranjar algo pra comer. Como?? Seria problema sem dinheiro. E depois, encontrar-se…isso mesmo. Viver para si…
Pensando positivo e em modo aventura, Amélia entrava nos autocarros e nos comboios disfarçadamente, doutra maneira era impossível. Não tinha um cêntimo …
Conseguiu chegar a Lisboa, a capital! E agora? Não conhecia ninguém…sentou-se num muro a olhar o movimento da cidade. Encontrava-se na Praça de Espanha e caminhando uns bons metros resolveu descansar. Olhando para ver onde ia sentar-se avistou algo que lhe agradava, o Museu Calouste Gulbenkian.
-uauuh! Vou ver o Museu da Gulbenkian…- falou alto e rodopiou de alegria. Tal que despertou a atenção de um senhor de 50 anos que sorrindo a chamou.
-menina! Chegue aqui, menina!
Envergonhada parou. Timidamente chegou perto do senhor…conclusão?
-Bom dia Sr. Alfredo! É muito cedo? Dormi aqui mesmo…e pensei vir já…
Abanando a cabeça em negação o Sr. Alfredo repeliu-a:
- Amélia, isso não pode ser! Não podes dormir na rua. Tens de estar apresentável a partir de…agora! Ouviste? Estou a dar-te uma oportunidade.
Sr. Alfredo era o gerente da empresa de limpeza e foi o 1º a ajudar Amélia. Durante seis meses, este senhor mostrou a esta menina perdida todos os caminhos, estradas e veredas que teria de percorrer para a caminhada da vida. Assim, 8 meses depois Amélia tinha um ordenado, vivia num quartinho perto do Museu, pagava as suas despesas e satisfazia seus hobbies. Lia quando queria e o que queria, ia ao cinema sempre que lhe apetecia, participava em festas e o que mais lhe agradava começou por ajudar nos teatros que faziam. Sim, os colegas de trabalho desafiaram-na a vir um dia ver e …Amélia conseguia saber todas as deixas de quase todos os personagens. Figurante era a sua participação mas era feita de tal forma que despertou o interesse do ensaiador. Assim que houve oportunidade Amélia foi convidada para uma personagem, não era a principal, mas era como se fosse. Chorou de emoção todo o dia….Nem acreditava!
Uma noite, quase próxima do grande evento Amélia começou a ficar pensativa. Estava tão contente, tão deslumbrada que apercebeu-se que só ela tinha acesso a esse sentimento. Parece que ia rebentar de tanta alegria e ansiedade. Talvez fosse também do cansaço, mas gostava de contar tudo o que lhe ia na alma às pessoas de quem gostava. O tio, as duas primas, a amiga de sempre e até a vizinha…todas aquelas pessoas que sempre lhe ralharam, sempre a metiam em baixo, mas de quem ela tinha saudades agora. Ainda se lembra da vizinha Aurora ralhar com ela por lhe roubar um vaso e plantar numa altura imprópria uma roseira…lembra-a com saudades.
Nessa noite, Amélia chorou de saudades e angústia. Não estava arrependida por ter lutado por uma vida melhor, mas o preço era muito alto e não sabia se aguentaria muito tempo a paga-lo! No dia da estreia, para quem iria sorrir?? Tinha o Sr. Alfredo, a Joana, a Célia e o Gustavo…mas não conhecia a sua infância. Não tinha seu sangue. Tinha-lhe sim agradecimento. Eram boas pessoas…
Chegou o dia…
-vamos lá rapaziada! Por favor, com calma…quero que estejam tranquilos. É apenas uma peça, se houver enganos ou esquecimentos continuem. Ajudem-se uns aos outros. Partilhem o que aprenderam e sorriam…sempre! Muita MERDA!- O ensaiador desejava a muita sorte a todos.
Luzes e mais luzes, concentração e mais decoração, falas e movimentos e os tão esperados aplausos! Como é hábito, os atores voltaram uma segunda vez ao palco para agradecer…e foi nessa altura que….Amélia! Aconteceu tudo tão de repente. Amélia enquanto estava em palco não via nada da plateia devido aos holofotes, apenas quando terminou o espectáculo é que viu na 1ª fila todos aqueles que tão chorados tinham sido durante algumas noites. Quando a vizinha Aurora a chamou e lhe atirou uma rosa, daquelas que impropriamente plantadas por Amélia tinha pegado. Ao mesmo tempo que a rosa caia no chão também Amélia, de tão imprópria e malfadada que era sua vida!
Amélia apenas sorriu e com a rosa na mão disse para todos que estavam ajoelhados no palco junto a si:
- Obrigado por terem vindo! Mas…vou partir…outra vez…outra vez e para sempre! Não compensa estar longe de quem gostamos, não mereço a vida…longe de vocês! Amo-vos…e percebi o quanto vocês também…a mim…percebi…percebi!
Amélia falecera ali mesmo naquela hora…viveu tudo o que queria ter vivido. SOZINHA!
“outra maneira de escrever”

Rosália Dias

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Outra maneira de escrever...

O dia amanheceu cinzento. Chuva, brisa fria e aquela monotonia que só nestes dias surge...
O pensamento descansa então mais lentamente ao compasso do tic-tac do relógio, mas consegue ser ainda mais lento.
Ao andar na rua, meio agasalhado ouço o barulho de passos atrás de mim...que nada mais é que o eco dos meus próprios passos...sinto por vezes também aquele quente de um abraço, que nada mais é que o eco do esforço de meu corpo...
Então porque me sinto com alguém? porque tenho a impressão de estar alguém sempre perto de mim?
Porque tenho a tentação de pensar que estás comigo?
Será o meu querer...a minha saudade tão intensa assim?
Quando não temos alguém que outrora tivemos, a tendência é querer voltar a ter...por sentirmos a sua falta.
Eu, o homem mais forte do mundo...sentirei a tua falta?
Todo o barulho...todo o frio...todos os pensamentos são em ti...mas quando te tinha sempre, constantemente ao meu lado, porque não te quis?
Porque te sinto intensamente junto a mim, quando já não estás?..."
Choro de saudade...suspiro de arrependimento...desejo que a tua morte ressuscite para bem da minha vida!

"outra maneira de escrever"




quinta-feira, 24 de abril de 2014

A melhor cura!

Um romance que escrevi. Uma outra maneira de escrever, não em verso.
Saliento que adorei escrever esta história!

                                                             A melhor cura


A hora habitual em que Tiago ia ao café da esquina era por volta das 19.30 h. Hora em que saía do trabalho e sem pensar em mais nada, quase que corria em direção a ele. A saída do café era por volta da meia noite e meia, cambaleando e tropeçando nos próprios pés. Tentava assim chegar a casa e quando conseguia duvidava se seria aquela a porta de sua casa. Tremia e por vezes não conseguia meter a chave na fechadura. Por fim, entrava em casa, deitava a mala para o lado perto do bengaleiro e fechava a porta com um pontapé que o fazia pender e quase cair. Chegava assim à sala e prostrava o corpo no sofá para o merecido descanso.
Todos os dias se repetia aquele "ritual". Tornara-se um hábito da qual dependia totalmente.
Acordava pelas 7 h da manhã, chegava a horas ao trabalho, muito por causa do alarme da torradeira que tocava sempre aquela hora. Porque ficaria o alarme ligado?  Nem ele sabia...
Erguia-se tonto e enjoado. Em direção à casa de banho quase apressadamente fazia a higiene. Saía e punha um bocado de pão na torradeira enquanto se vestia. Untava a torrada de um só lado e mastigava artificialmente, não lhe sabia a torrada. Deixando a mesa como sempre deixava, com a faca suja, manteiga fora do frigorífico e algum lixo passava perto do bengaleiro, pegava a mala e saía puxando a porta.
Na rua expirava o ar fresco da manhã, mas o efeito não era o que desejava. Sentia-se amarrotado, tonto, sem vontade para fazer nada, cansado. Costumava ir no autocarro das 8.30 h, mas nessa manhã nem se lembrou que ia de autocarro e andou a pé. Chegou à empresa e estava tudo fechado ainda. Sentou-se no degrau e esperou.

Em casa de Rita, o stress matinal era habitual, mas necessário. Ela tomava o peq. almoço, colava a caneca e o prato no lava loiças e agarrava a mala, as chaves do carro e saía porta fora. Rita detestava filas de trânsito e tentava sempre chegar antes da chamada hora de ponta. Mas, aquela manhã, toda a gente pensou como ela e a fila estava enorme, irritando-a profundamente. 
-Fogo!- gritava Rita, batendo no volante.
Decidiu não se dar por vencida e saiu da estrada em que seguia e entrou numa rua transversal. Encontrou um largo onde pode estacionar. Resolveu ir a pé o resto do caminho, não era longe. 
Chegou ao enorme Largo Principal da linda cidade de Braga, que conhece desde que nasceu. Uma vez, nesse Largo só teria que ir ter à Rua dos Cândidos. Pensou ir de autocarro, tinha tempo.
- Uma mulher que tem carro e ter de ir de autocarro...isto só a mim!- rabujava para si.
Chegou à paragem do autocarro e perguntou delicadamente a um senhor.
- Bom dia! Desculpe, a que horas passa o próximo autocarro?
- Bom dia menina! Passa às 10.15 h. é o 23. E depois passa o 12 ao meio dia. Hora do almoço, sabe??
-10.15 h?? ai Meu Deus! A que horas vou chegar ao trabalho? Obrigado senhor, mas olhe vou a pé..
Virou-se e começou a andar. 

Em casa de Tiago o telefone não parava de tocar...

Na porta da empresa Tiago esperava sentado no chão, meio desmaiado. As pessoas passavam e olhavam para ele como se fosse um mendigo e Tiago não tinha forças para mostrar o contrário.

Ao fundo do Largo Principal, ali estava Tiago neves, um jovem escriturário, sentado no chão, embriagado com a roupa de três dias e sem ninguém lhe ligar a mínima importância.

Virou-se e sentiu um arrepio no corpo, ao ver um homem caído no chão junto a uma porta e ninguém lhe ligava. Nervosa, atravessou a rua e chegou junto do homem que estava na porta da empresa Soares & Cunha e ajoelhando-se tocou-lhe no rosto para o despertar.

- Senhor? Acorde, vá lá! Senhor?

- Ah! Ah! O que é…? O que...eu…tou…sou…bem – balbuciava coisas sem sentido.

- Calma! Eu sou a Rita, como se chama? Qual é o seu nome? Diga-me o seu nome…

- O meu nome é Tiago…Tiago Neves…meu nome…- tentava levantar-se.

- Ok, Tiago fique aqui quietinho que eu vou pedir ajuda. Eu volto já, ok? Não saia daqui Tiago! Prometa!

- Eu prometo…tudo…prometo! – Tiago estava por tudo, porque não? Ajuda de uma mulher bonita, claro!

Rita correu até ao carro que estava na transversal da Rua da Ajuda com o Largo Principal, entrou na via principal com o trânsito mais calmo, agora que estava a polícia a controlar, conseguiu chegar á paragem do autocarro, agarrar Tiago, colocá-lo no carro e arrancar o mais depressa possível. Enquanto conduzia, olhava de relance para Tiago. Era um rapaz bonito, mas ensopado em álcool. Rita pensava para si “… esta juventude, que desperdício! Saem de casa, perdem-se, sem orientação de ninguém andam por aí sem emprego…Meu Deus! O meu emprego!!

Rita não se tinha lembrado do seu trabalho. Agora era tarde demais. Mas, tivera uma ideia…

Dirigiu-se para casa, pôs o carro na garagem e levou Tiago para dentro, onde o deitou no sofá da sala.

Rita morava no Bairro Almeida Garret, nº 35, uma vivenda enorme para uma mulher sozinha, mas o pai quis assim “tudo de bom para a minha perolazinha” … - comentava ele.

Enfim, Rita tinha tudo ali. Era o palácio para uma princesa só e sem criados, com o emprego a 5 km.

Rita preparava um chá para Tiago, quando ouviu chamar:

- Minha senhora? Menina?

- O que foi? Não pense em levantar-se daí!


Continua...





sábado, 13 de julho de 2013

Poderia desaparecer

Mote:
Afortunada que eu sou,
tenho tudo o que não pedi!
Sei andar, mas não vou,
porque não quero ir sem ti!

               1                                                                          2
Meio perdida a olhar,                                          Tenho um sorriso bonito,
no meio da multidão,                                          e um bater doce de coração,
não sei que pessoas são,                                   um gentil aperto de mão,
apenas me fazem baralhar,                                 tenho tudo o que é preciso.
e meio perdida rodopiar.                                      sempre em pensamento contigo!
E, sem saber onde estou,                                   Mesmo longe de ti,
muito menos para onde vou.                                sei que não te perdi,
O que mais te poderei ter?                                  e  pensando tenho-te vivo,
e sem ter mais nada pra fazer,                           penso e com um sorriso,
afortunada que eu sou!                                  tenho tudo o que não pedi!
            3                                                                          4
Por vezes sou teimosa,                                    Sorrindo com vontade,
mas agradeço esta                                          nada me afastará,
que levo bem vivida,                                         o meu coração sentirá,
lenta e vagarosa,                                              o meu viver em liberdade,
muito doce e gostosa.                                      com prazer e vaidade.
Por vezes, não sei quem sou,                            Aquilo que sempre pedi,
só num pé como um grou,                                 que estivesses sempre aqui,
perco a noção de identidade,                             tu e eu somos só um,
e caminhando pra realidade,                              e eu não vou a lado nenhum,
sei andar mas não vou!                                  porque não quero ir sem ti!

Voltar para casa

Mote:
Queria voltar para casa,
queria saber o caminho!
queimando como uma brasa,
eu vou encontra-lo! Sozinho!

               1                                                                                           2
Deixei o meu primeiro lar,                              De cabeça bem erguida,
sem olhar para trás,                                       voei tanto sem me cansar,
que falta agora me faz,                                   voei para não voltar…
queria tanto lá voltar.                                      Agora, sina arrependida.
Gostava de o encontrar.                                 vida mais do que perdida.
Por mais que eu faça,                                    Não tenho lar, nem ninho,
por mais que eu haja,                                     e voo devagarinho…
não arranjo sitio melhor                                  Procuro por toda a parte,
o meu bem maior,                                          uso tudo o que é arte,
queria voltar para casa!                              queria saber o caminho!
            3                                                                                  4
Não fechei as portas á chave,                         Agora, voo sem liberdade,
também não estão abertas,                            sem casa, sem nada,
as pisadas não são certas,                              vida mais do que amargurada,
e paro, assim mal que trave,                            abraçada á saudade,
é como música sem clave                              amordaçada pela verdade.
é como não ter casa,                                     não sei qual é o caminho…
é estar constantemente perdido,                     Dor! Como que um espinho,
ofegando sem sentido,                                   quero somente regressar,
qual explosão que tudo arrasa,                       para poder descansar,
queimando como uma brasa!                     e vou encontra-lo! Sozinho!

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Como eu te vi...



As luzes iluminavam a rua,
Eu andava descontraída e leve.
Olhava com atenção para a lua,
E reparava nas pessoas em breve.
Por vezes, não olhava para nada,
Mas via tanta coisa, era mágico.
E com um som de uma estalada,
Acordava! Que trágico!
Foi numa dessas paragens visuais,
Que ao despertar te vi…
Mas na realidade era muito mais,
Tu estavas mesmo ali!

Na minha frente, ao meu alcance.
Sorri e quis tocar-te…
Desapareceste e ao olhar de relance,
Fui tentada a chamar-te!
 
 Então, sim eu estava a ver-te!
E como eu te vi…
E com medo de perder-te,
Apenas fiquei a olhar para ti!