sexta-feira, 10 de abril de 2015

Outra maneira de escrever...

O dia amanheceu cinzento. Chuva, brisa fria e aquela monotonia que só nestes dias surge...
O pensamento descansa então mais lentamente ao compasso do tic-tac do relógio, mas consegue ser ainda mais lento.
Ao andar na rua, meio agasalhado ouço o barulho de passos atrás de mim...que nada mais é que o eco dos meus próprios passos...sinto por vezes também aquele quente de um abraço, que nada mais é que o eco do esforço de meu corpo...
Então porque me sinto com alguém? porque tenho a impressão de estar alguém sempre perto de mim?
Porque tenho a tentação de pensar que estás comigo?
Será o meu querer...a minha saudade tão intensa assim?
Quando não temos alguém que outrora tivemos, a tendência é querer voltar a ter...por sentirmos a sua falta.
Eu, o homem mais forte do mundo...sentirei a tua falta?
Todo o barulho...todo o frio...todos os pensamentos são em ti...mas quando te tinha sempre, constantemente ao meu lado, porque não te quis?
Porque te sinto intensamente junto a mim, quando já não estás?..."
Choro de saudade...suspiro de arrependimento...desejo que a tua morte ressuscite para bem da minha vida!

"outra maneira de escrever"




quinta-feira, 24 de abril de 2014

A melhor cura!

Um romance que escrevi. Uma outra maneira de escrever, não em verso.
Saliento que adorei escrever esta história!

                                                             A melhor cura


A hora habitual em que Tiago ia ao café da esquina era por volta das 19.30 h. Hora em que saía do trabalho e sem pensar em mais nada, quase que corria em direção a ele. A saída do café era por volta da meia noite e meia, cambaleando e tropeçando nos próprios pés. Tentava assim chegar a casa e quando conseguia duvidava se seria aquela a porta de sua casa. Tremia e por vezes não conseguia meter a chave na fechadura. Por fim, entrava em casa, deitava a mala para o lado perto do bengaleiro e fechava a porta com um pontapé que o fazia pender e quase cair. Chegava assim à sala e prostrava o corpo no sofá para o merecido descanso.
Todos os dias se repetia aquele "ritual". Tornara-se um hábito da qual dependia totalmente.
Acordava pelas 7 h da manhã, chegava a horas ao trabalho, muito por causa do alarme da torradeira que tocava sempre aquela hora. Porque ficaria o alarme ligado?  Nem ele sabia...
Erguia-se tonto e enjoado. Em direção à casa de banho quase apressadamente fazia a higiene. Saía e punha um bocado de pão na torradeira enquanto se vestia. Untava a torrada de um só lado e mastigava artificialmente, não lhe sabia a torrada. Deixando a mesa como sempre deixava, com a faca suja, manteiga fora do frigorífico e algum lixo passava perto do bengaleiro, pegava a mala e saía puxando a porta.
Na rua expirava o ar fresco da manhã, mas o efeito não era o que desejava. Sentia-se amarrotado, tonto, sem vontade para fazer nada, cansado. Costumava ir no autocarro das 8.30 h, mas nessa manhã nem se lembrou que ia de autocarro e andou a pé. Chegou à empresa e estava tudo fechado ainda. Sentou-se no degrau e esperou.

Em casa de Rita, o stress matinal era habitual, mas necessário. Ela tomava o peq. almoço, colava a caneca e o prato no lava loiças e agarrava a mala, as chaves do carro e saía porta fora. Rita detestava filas de trânsito e tentava sempre chegar antes da chamada hora de ponta. Mas, aquela manhã, toda a gente pensou como ela e a fila estava enorme, irritando-a profundamente. 
-Fogo!- gritava Rita, batendo no volante.
Decidiu não se dar por vencida e saiu da estrada em que seguia e entrou numa rua transversal. Encontrou um largo onde pode estacionar. Resolveu ir a pé o resto do caminho, não era longe. 
Chegou ao enorme Largo Principal da linda cidade de Braga, que conhece desde que nasceu. Uma vez, nesse Largo só teria que ir ter à Rua dos Cândidos. Pensou ir de autocarro, tinha tempo.
- Uma mulher que tem carro e ter de ir de autocarro...isto só a mim!- rabujava para si.
Chegou à paragem do autocarro e perguntou delicadamente a um senhor.
- Bom dia! Desculpe, a que horas passa o próximo autocarro?
- Bom dia menina! Passa às 10.15 h. é o 23. E depois passa o 12 ao meio dia. Hora do almoço, sabe??
-10.15 h?? ai Meu Deus! A que horas vou chegar ao trabalho? Obrigado senhor, mas olhe vou a pé..
Virou-se e começou a andar. 

Em casa de Tiago o telefone não parava de tocar...

Na porta da empresa Tiago esperava sentado no chão, meio desmaiado. As pessoas passavam e olhavam para ele como se fosse um mendigo e Tiago não tinha forças para mostrar o contrário.

Ao fundo do Largo Principal, ali estava Tiago neves, um jovem escriturário, sentado no chão, embriagado com a roupa de três dias e sem ninguém lhe ligar a mínima importância.

Virou-se e sentiu um arrepio no corpo, ao ver um homem caído no chão junto a uma porta e ninguém lhe ligava. Nervosa, atravessou a rua e chegou junto do homem que estava na porta da empresa Soares & Cunha e ajoelhando-se tocou-lhe no rosto para o despertar.

- Senhor? Acorde, vá lá! Senhor?

- Ah! Ah! O que é…? O que...eu…tou…sou…bem – balbuciava coisas sem sentido.

- Calma! Eu sou a Rita, como se chama? Qual é o seu nome? Diga-me o seu nome…

- O meu nome é Tiago…Tiago Neves…meu nome…- tentava levantar-se.

- Ok, Tiago fique aqui quietinho que eu vou pedir ajuda. Eu volto já, ok? Não saia daqui Tiago! Prometa!

- Eu prometo…tudo…prometo! – Tiago estava por tudo, porque não? Ajuda de uma mulher bonita, claro!

Rita correu até ao carro que estava na transversal da Rua da Ajuda com o Largo Principal, entrou na via principal com o trânsito mais calmo, agora que estava a polícia a controlar, conseguiu chegar á paragem do autocarro, agarrar Tiago, colocá-lo no carro e arrancar o mais depressa possível. Enquanto conduzia, olhava de relance para Tiago. Era um rapaz bonito, mas ensopado em álcool. Rita pensava para si “… esta juventude, que desperdício! Saem de casa, perdem-se, sem orientação de ninguém andam por aí sem emprego…Meu Deus! O meu emprego!!

Rita não se tinha lembrado do seu trabalho. Agora era tarde demais. Mas, tivera uma ideia…

Dirigiu-se para casa, pôs o carro na garagem e levou Tiago para dentro, onde o deitou no sofá da sala.

Rita morava no Bairro Almeida Garret, nº 35, uma vivenda enorme para uma mulher sozinha, mas o pai quis assim “tudo de bom para a minha perolazinha” … - comentava ele.

Enfim, Rita tinha tudo ali. Era o palácio para uma princesa só e sem criados, com o emprego a 5 km.

Rita preparava um chá para Tiago, quando ouviu chamar:

- Minha senhora? Menina?

- O que foi? Não pense em levantar-se daí!


Continua...





sábado, 13 de julho de 2013

Poderia desaparecer

Mote:
Afortunada que eu sou,
tenho tudo o que não pedi!
Sei andar, mas não vou,
porque não quero ir sem ti!

               1                                                                          2
Meio perdida a olhar,                                          Tenho um sorriso bonito,
no meio da multidão,                                          e um bater doce de coração,
não sei que pessoas são,                                   um gentil aperto de mão,
apenas me fazem baralhar,                                 tenho tudo o que é preciso.
e meio perdida rodopiar.                                      sempre em pensamento contigo!
E, sem saber onde estou,                                   Mesmo longe de ti,
muito menos para onde vou.                                sei que não te perdi,
O que mais te poderei ter?                                  e  pensando tenho-te vivo,
e sem ter mais nada pra fazer,                           penso e com um sorriso,
afortunada que eu sou!                                  tenho tudo o que não pedi!
            3                                                                          4
Por vezes sou teimosa,                                    Sorrindo com vontade,
mas agradeço esta                                          nada me afastará,
que levo bem vivida,                                         o meu coração sentirá,
lenta e vagarosa,                                              o meu viver em liberdade,
muito doce e gostosa.                                      com prazer e vaidade.
Por vezes, não sei quem sou,                            Aquilo que sempre pedi,
só num pé como um grou,                                 que estivesses sempre aqui,
perco a noção de identidade,                             tu e eu somos só um,
e caminhando pra realidade,                              e eu não vou a lado nenhum,
sei andar mas não vou!                                  porque não quero ir sem ti!

Voltar para casa

Mote:
Queria voltar para casa,
queria saber o caminho!
queimando como uma brasa,
eu vou encontra-lo! Sozinho!

               1                                                                                           2
Deixei o meu primeiro lar,                              De cabeça bem erguida,
sem olhar para trás,                                       voei tanto sem me cansar,
que falta agora me faz,                                   voei para não voltar…
queria tanto lá voltar.                                      Agora, sina arrependida.
Gostava de o encontrar.                                 vida mais do que perdida.
Por mais que eu faça,                                    Não tenho lar, nem ninho,
por mais que eu haja,                                     e voo devagarinho…
não arranjo sitio melhor                                  Procuro por toda a parte,
o meu bem maior,                                          uso tudo o que é arte,
queria voltar para casa!                              queria saber o caminho!
            3                                                                                  4
Não fechei as portas á chave,                         Agora, voo sem liberdade,
também não estão abertas,                            sem casa, sem nada,
as pisadas não são certas,                              vida mais do que amargurada,
e paro, assim mal que trave,                            abraçada á saudade,
é como música sem clave                              amordaçada pela verdade.
é como não ter casa,                                     não sei qual é o caminho…
é estar constantemente perdido,                     Dor! Como que um espinho,
ofegando sem sentido,                                   quero somente regressar,
qual explosão que tudo arrasa,                       para poder descansar,
queimando como uma brasa!                     e vou encontra-lo! Sozinho!

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Como eu te vi...



As luzes iluminavam a rua,
Eu andava descontraída e leve.
Olhava com atenção para a lua,
E reparava nas pessoas em breve.
Por vezes, não olhava para nada,
Mas via tanta coisa, era mágico.
E com um som de uma estalada,
Acordava! Que trágico!
Foi numa dessas paragens visuais,
Que ao despertar te vi…
Mas na realidade era muito mais,
Tu estavas mesmo ali!

Na minha frente, ao meu alcance.
Sorri e quis tocar-te…
Desapareceste e ao olhar de relance,
Fui tentada a chamar-te!
 
 Então, sim eu estava a ver-te!
E como eu te vi…
E com medo de perder-te,
Apenas fiquei a olhar para ti!

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Livre de liberdade

Armas, cravos, gritos de liberdade,
sempre ouvi esta linda história.
Somos livres, temos a vaidade
de guardar esta luta na memória!

Não compreendo bem o sentido,
de que liberdade se trata?
Continuam sempre mentindo,
enganan-se que se farta!

Isto não é a Liberdade...
Não é ser verdadeiro, leal...
È aparência, crueldade...
È uma brincadeira real...

Todos são amigos a fingir...
Lutam por nada de especial..
A ajuda tarda a vir..
e..ponto forte é o dizer mal!

Liberdade é muito mais...
é ser livre para falar, pensar,
agir e seguir os ideais

Liberdade é aventura..
é ter força e garra pra lutar..
e nunca perder a postura

terça-feira, 26 de março de 2013

Querendo muito...

As estrelas brilham lá no céu,
na terra estamos, tu e eu...
Querendo muito que deia certo,
querendo estar mais perto.

O mar balança com o seu ondear,
em terra estamos nós a olhar.
Querendo estar sempre juntos,
partilhar sentimentos profundos.

Estamos os dois atentar, a querer,
não sei se será a mesma coisa!
Esvoaçamos as ideias, o saber...
como ave  que voa e não poisa!

E quando poisar? O que vai acontecer?
O que vamos fazer ao nosso querer?
O nosso amor vai deixar-nos unidos?
Ou vamos dar-nos por vencidos?

Vencendo o querer....ficaremos a saber...
que todo o amor que se sente
não morre....VENCE!

2013