Como uma pintura não acabada,
fica o toque do mar na areia.
Nos meus pés uma sensação molhada,
no pensamento melancolia vagueia.
Talvez por não conseguir desenhar igual ao teu corpo.
Talvez por não transmitir, este sentimento louco.
Amantes que somos nós os dois,
mas não como a areia e o mar.
Sim, sentimentos sentimos! E depois?
Faz-nos somente querer mais amar!
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Simplesmente amor!
Pura loucura senti,
quando tua mão me tocou.
Parecia o toque do cetim
algo que me agradou.
A expressão do meu rosto,
demonstrou o meu sentir.
E, foi com profundo gosto
que resolvi retribuir.
Resolvi então enfrentar,
o que meu corpo absorveu.
Fixei-me em teu olhar
e a sensação cresceu.
Foi simplesmente amor!
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Lembrando poetas grandes...
Poetisa, romancista, argumentista, cronista e actriz de teatro, cinema e televisão, sendo igualmente autora de letras de canções e fados. Rosa Lobato de Faria
O tempo
“O tempo tem aspectos misteriosos:
Um ano passa a toda a velocidade,
E um minuto, se estamos ansiosos
Parece, às vezes, uma eternidade.
Um dia ou é veloz ou pachorrento
-depende do que está a contecer-
O tempo de estudar, pode ser lento.
O tempo de brincar, passa a correr.
E aquela terrível arrelia
Que até te fez chorar, por ser tão má,
deixa passar o tempo. Por magia,
Quando olhamos para trás, já lá não está. “
(Rosa Lobato Faria)
O tempo
“O tempo tem aspectos misteriosos:
Um ano passa a toda a velocidade,
E um minuto, se estamos ansiosos
Parece, às vezes, uma eternidade.
Um dia ou é veloz ou pachorrento
-depende do que está a contecer-
O tempo de estudar, pode ser lento.
O tempo de brincar, passa a correr.
E aquela terrível arrelia
Que até te fez chorar, por ser tão má,
deixa passar o tempo. Por magia,
Quando olhamos para trás, já lá não está. “
(Rosa Lobato Faria)
terça-feira, 3 de abril de 2012
Meu pedaço
Quero, porque quero sentir,
quero, porque se sinto vejo,
quero, ver-te a sorrir,
quero, é esse meu desejo.
Posso, porque mando em mim,
Posso, porque decido eu,
Posso querer-te aqui,
Posso fazer-te só meu!
O que quero, o que posso eu?
O que sinto e o que vejo?
É pensamento, pedaço meu..
é tudo com que desejo...
quero, porque se sinto vejo,
quero, ver-te a sorrir,
quero, é esse meu desejo.
Posso, porque mando em mim,
Posso, porque decido eu,
Posso querer-te aqui,
Posso fazer-te só meu!
O que quero, o que posso eu?
O que sinto e o que vejo?
É pensamento, pedaço meu..
é tudo com que desejo...
Lembrando poetas grandes...
Quem não se lembra de Natália Correia? Leia, então...
Nuvens correndo num rio
Nuvens correndo num rio
Quem sabe onde vão parar?
Fantasma do meu navio
Não corras, vai devagar!
Vais por caminhos de bruma
Que são caminhos de olvido.
Não queiras, ó meu navio,
Ser um navio perdido.
Sonhos içados ao vento
Querem estrelas varejar!
Velas do meu pensamento
Aonde me quereis levar?
Não corras, ó meu navio
Navega mais devagar,
Que nuvens correndo em rio,
Quem sabe onde vão parar?
Que este destino em que venho
É uma troça tão triste;
Um navio que não tenho
Num rio que não existe.
Natália Correia
Lembrando poetas grandes
Aqui, neste poema Fernando como Ricardo.
Pois que nada que dure, ou que, durando,
Valha, neste confuso mundo obramos,
E o mesmo útil para nós perdemos
Conosco, cedo, cedo.
O prazer do momento anteponhamos
À absurda cura do futuro, cuja
Certeza única é o mal presente
Com que o seu bem compramos.
Amanhã não existe. Meu somente
É o momento, eu só quem existe
Neste instante, que pode o derradeiro
Ser de quem finjo ser?
Ricardo Reis, in "Odes"
Heterónimo de Fernando Pessoa
Valha, neste confuso mundo obramos,
E o mesmo útil para nós perdemos
Conosco, cedo, cedo.
O prazer do momento anteponhamos
À absurda cura do futuro, cuja
Certeza única é o mal presente
Com que o seu bem compramos.
Amanhã não existe. Meu somente
É o momento, eu só quem existe
Neste instante, que pode o derradeiro
Ser de quem finjo ser?
Ricardo Reis, in "Odes"
Heterónimo de Fernando Pessoa
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Lembrando poetas grandes...
Este poema é de Fernando Pessoa. Colocarei também dos seus heterónimos. Ricardo Reis, Alberto Caeiro e Álvaro de Campos.
Se penso mais que um momento
Se penso mais que um momento
Na vida que eis a passar,
Sou para o meu pensamento
Um cadáver a esperar.
Dentro em breve (poucos anos
É quanto vive quem vive),
Eu, anseios e enganos,
Eu, quanto tive ou não tive,
Deixarei de ser visível
Na terra onde dá o Sol,
E, ou desfeito e insensível,
Ou ébrio de outro arrebol,
Terei perdido, suponho,
O contacto quente e humano
Com a terra, com o sonho,
Com mês a mês e ano a ano.
Por mais que o Sol doire a face
Dos dias, o espaço mudo
Lambra-nos que isso é disfarce
E que é a noite que é tudo.
Fernando Pessoa
Se penso mais que um momento
Se penso mais que um momento
Na vida que eis a passar,
Sou para o meu pensamento
Um cadáver a esperar.
Dentro em breve (poucos anos
É quanto vive quem vive),
Eu, anseios e enganos,
Eu, quanto tive ou não tive,
Deixarei de ser visível
Na terra onde dá o Sol,
E, ou desfeito e insensível,
Ou ébrio de outro arrebol,
Terei perdido, suponho,
O contacto quente e humano
Com a terra, com o sonho,
Com mês a mês e ano a ano.
Por mais que o Sol doire a face
Dos dias, o espaço mudo
Lambra-nos que isso é disfarce
E que é a noite que é tudo.
Fernando Pessoa
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